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Escola Ideal

Por Núcleo Educacionista Notícias gerais (Brasil) - BR no dia 11/03/2009 às 04h20m

O Ciep, de Brizola e Darcy Ribeiro, foi a mais transformadora das políticas sociais brasileiras. Todas as crianças teriam aulas do começo da manhã ao final da tarde. Desenvolveriam seus talentos, independentemente da renda da família. Se esse programa tivesse sido adotado nacionalmente, o Brasil seria hoje diferente: usaria todo o potencial intelectual de sua população, teria renda muito maior e mais bem distribuída, menos violência, mais eficiência. Teríamos para a educação, a ciência, a tecnologia e a cultura o que temos para o futebol: bola redonda para todos, e todos jogando desde cedo, sujeitos às mesmas regras.

Mas Brizola representava uma exceção na política brasileira, tinha a visão de que o futuro era baseado na educação. Por isso, seu projeto foi abandonado. O presidente Collor fez cerca de 500 unidades, ilhas no meio do oceano de quase 200 mil escolas. Talvez isso tivesse sido diferente se tivéssemos adotado o caminho de implantar Cieps por cidades inteiras e não apenas por unidades escolares. Se fosse implantado em mil cidades em quatro anos, o programa não seria interrompido por nenhum governo. Em 20 anos, todas as cidades teriam todas as suas escolas em horário integral, com professores bem remunerados, bem formados e dedicados, em escolas bem equipadas.

Foi isso o que tentou o Ministério da Educação, em 2003, no primeiro ano do governo Lula, com o programa Escola Ideal, que chamamos de Cieps do Lula, ou Cidade Ideal na Educação Pública. Naquele ano, iniciamos o programa em 29 pequenas cidades e incluímos no orçamento de 2004 recursos para novas 155 cidades. Se o programa tivesse continuado, talvez metade das cidades brasileiras já tivessem todas as suas escolas em horário integral. Mas, mesmo sem mudar de governo, o programa parou, e nem aquelas cidades completaram suas metas.

Com base nessa estratégia, no início do governo Arruda levei-lhe a ideia de implantarmos no DF cidades onde todas as escolas funcionassem em horário integral. Além do exemplo de Brizola, lembrei que, entre 1995 e 1998, conseguimos acabar com o horário da fome, que herdamos — escolas com apenas duas horas de aulas por dia, entre as 11h e as 13h, e implantar cinco horas na maior parte das escolas, algumas com seis, mas sem ter feito a revolução concentrada por cidades. O efeito ficou diluído e incompleto.

O governador mostrou interesse, mas a Secretaria de Educação foi contra. Aceitando perder poder para a burocracia, o governador insistiu no horário integral, mas preferiu substituir o horário integral na escola por complementação de atividades escolares fora da escola. Embora esse programa de complementação de atividades seja melhor do que o abandono das crianças depois do horário de quatro aulas, ele não representa educação integral. Tanto que é feito por uma secretaria separada da educação.

O verdadeiro horário integral exige, em primeiro lugar, professores atendidos em suas reivindicações, bem preparados, bem dedicados, com as crianças aprendendo idiomas, praticando artes e esportes, lendo, fazendo seus deveres, na mesma unidade escolar, não como um complemento, mas como parte de um sistema integral.

Depois de mais de dois anos, finalmente o governo Arruda promete fazer com que, pelo menos, duas cidades do Distrito Federal tenham o verdadeiro horário integral em todas as suas escolas. O ideal seria que o sistema integral fosse executado pela própria Secretaria de Educação, para que o sentimento de integralidade não ficasse limitado apenas a algumas horas a mais, animadas por uma Secretaria Especial que termina cuidando da alimentação e de algumas atividades de diversão dos alunos. Mas, diante da impossibilidade, por força da burocracia na Secretaria de Educação, o Distrito Federal deve colaborar e torcer para que o novo secretário de Educação Integral, Marcelo Aguiar, consiga implantar o verdadeiro horário integral em todas as escolas de algumas de nossas cidades.

Se isso for feito de fato, não apenas como instrumento de propaganda, representará um avanço que poderá servir de exemplo para todo o Brasil. No próximo ano, teremos eleição presidencial. Se o projeto do DF der certo, poderá atrair a atenção de alguns dos candidatos para a necessidade, a urgência e a possibilidade da implantação da verdadeira educação integral no Brasil, trazendo de volta a proposta do programa Escola Ideal, de 2003, com sua implantação radical por cidades.

Cristovam Buarque
* Professor da Universidade de Brasília, Senador pelo PDT/DF. 

artigo publicado no jornal Correio Braziliense em 28/2/2009.

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Comentários (1)

  • GWERSON GLEY DOS SANTOS, 18/05/2009
    Boa tarde Senador,

    Faço parte da JS-BARCARENA/PARÁ, e gostaria de aprofundar a discussão sobre a educação em tempo integral no meu município. Conhecendo mais a fundo o Projeto. Ficaria grato se ajudasse nessa caminhada.
    Saudações educacionistas!

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